Na equação da vida...
Liz | Arquivos | Eu leio | Mais
- Eu já te disse que não sei fazer o balanceamento da equação da vida, você sabe disso.
- Como assim?
- A equação da vida, amiga. Quer dizer que eu não sei dividir o que é bom e o que é ruim. Mas sei que o que conta é o resultado. Se for negativo, não vale a pena. Se for positivo, vale.
- O problema é que eu nunca sei se o meu resultado está certo, então...
- E, na minha vida, os valores são sempre inconstantes... Não dá pra saber.

Liz, editei esse layout pra você, mas é provisório. E se você não gostar desse, eu edito qual você quiser, ok?
Beijos.

Multipolar

domingo, 10 de outubro de 2010 20:08
Comentários aqui.


Há dias em que o que eu mais quero é sair por aí sorrindo para todas as pessoas e dizer pra elas o quanto elas são importantes para o mundo; há outros em que eu ando por aí sem esboçar sequer um sorriso amarelo, parecendo odiar cada ser que cruza o meu caminho e pensando que cada um de nós é um pontinho insignificante e inútil na imensidão. Há dias em que a tudo é rosa e azul, em que eu penso que a vida é linda, que tudo ficará bem e que o mundo tem conserto; em outros o mundo fica cinza, a vida está uma droga e eu realmente acredito que o mundo caminha para o caos, independentemente do que façamos. Às vezes amo minhas roupas, as acho lindas e me culpo por reclamar enquanto há pessoas que não têm o que vestir; e às vezes odeio cada uma das peças que habitam meu armário e tenho vontade de sair nua num voto de protesto para me darem de uma vez um mega closet recheado. Às vezes eu acho que meus problemas não têm solução e que eles vão me sufocar; e tem vezes nas quais eu me sinto a pior das pessoa por me preocupar com meus micro problemas, transformando-os em macro, enquanto muuuuita gente tem problemas extra maiores que os meus. Em alguns momentos, tudo que eu mais queria era não me apaixonar e viver livre dos tormentos que traz a paixão; e em outros eu penso que o amor é o sentimento mais lindo e puro do universo e quem não o experimenta não tem a chance de ser feliz. Há dias em que eu acho a vida complexa demais para se viver; e em outros eu acho que é só levá-la simplesmente. Tem dias em que tudo que eu mais queria era ter muito dinheiro e comprar as coisas que eu sempre quis; e há também dias em que acho que o dinheiro é fútil e efêmero, e que tudo seria mais fácil se ele não existisse. Certas vezes penso em não ter filhos; em outras eles são o que eu mais quero. Há dias em que eu quero sair pelo mundo, conhecer centenas de pessoas e centenas de lugares; há outros em que tudo que eu quero é terminar a faculdade, comprar um apartamento pequeno e dar duro para me sustentar sem depender de ninguém fazendo o que eu gostar. Em certas manhãs tudo que eu mais quero é me levantar, admirar o mundo e fazer tudo sem desânimo, com pensamentos positivíssimos; em outras tudo que eu queria era não ter que acordar nunca mais. Em alguns dias eu acho que pensar demais leva à loucura, e que talvez seja por isso que eu estou assim hoje; e também há momentos em que eu acho que tudo deve ser pensado, calculado e planejado fria e racionalmente. Em certos momentos eu quero matar de uma vez a preguiça; em outros eu quero deixar que ela me mate. Há dias em que eu me acho o melhor exemplo de pessoa; e outros em que eu sou a pior e mais incorreta das criaturas. Há momentos em que eu quero desistir; e outros em que o que eu mais quero é persistir e ir até o final. Às vezes eu acho casamento a maior burrada que uma pessoa pode fazer; e às vezes eu o acho a coisa mais perfeita do mundo. Há dias em que eu quero jogar uma bomba na minha escola; e há outros em que eu acho que é ela que vai me guiar na vida. Às vezes eu quero voar; às vezes eu tenho medo de altura.
Às vezes eu penso ser uma metamorfose ambulante, mas me tem ocorrido a ideia de que talvez haja em mim uma rotina fixa: a rotina da mudança. Transitando entre opostos, tentando achar as medidas ideais, tentando me encontrar no mundo. Pode ser que eu tenha me cansado da mesmisse antes mesmo de experimentá-la. As pessoas previsíveis são desinteressantes, é. Talvez eu seja bipolar. Multipolar. É.